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História dos Congos de Santa Efigênia – Niquelândia-GO

Registros históricos datados de 1794, encontrados no Conselho do Vaticano, na Itália, já dão conta da Irmandade e da Congada de Santa Efigênia. Esses papéis atribuem a Irmandade a responsabilidade de zelar pelo patrimônio das disciplinas dela própria e dos congos. Em Niquelândia, o costume da festa passa de pai para filho, de geração a geração, sobrevivendo ao longo dos anos.

De acordo com estudo realizado pelos pesquisadores Dr. Sebastião Rios e Talita Viana, da Universidade Federal de Goiás, intitulado A performance do olhar: a Congada de Santa Efigênia através do olhar de Johann Emanuel Pohl, a Congada de Niquelândia foi vista e descrita pela primeira vez, pelo médico, botânico e mineralogista Johann Emanuel Pohl (1782 – 1834).

Segundo eles, Pohl esteve no Brasil como membro da expedição que acompanhou a comitiva nupcial da Arquiduquesa Leopoldina da Áustria, que se casaria com Dom Pedro I, herdeiro do trono português, que vivia no Brasil.

Pohl relata que durante sua passagem pelo país, a comitiva participou da festa de Traíras, rebatizada de Tupaciguara e hoje município de Niquelândia.

Na festa predominam-se traços próprios dos povos centro-africanos, pertencentes ao tronco lingüístico cultural banto, que caracterizam o catolicismo negro.

Pohl descreve a festa presenciada por ele da seguinte forma: “No interior da igreja, nos degraus do altar, estavam dispostos dois pálios para os monarcas do dia e dois tamboretes para o príncipe e a princesa. Ao penetrarem na igreja, por entre grandes cerimônias, o padre aspergia-lhes água benta e começava a missa cantada. De tempos em tempos essas altas personalidades eram incensadas. (…) No final da missa foram lidos diante do altar os nomes daqueles sobre os quais recaíra a sorte para exercerem as dignidades no ano vindouro. Os tronos e tamboretes foram postos imediatamente na igreja e, logo que os dignitários tomaram os seus lugares, penetraram os músicos negros pela porta do templo, prostaram-se diante dos reais assentos e logo começaram a dançar e a cantar uma música africana. Ao terminar a dança, levantou-se o monarca negro e ordenou em voz alta que se começasse, com cantos e danças, a festa de Santa Ifigênia. (…) São iniciados os cantos e danças; o imperador, com o cetro, concede a bênção ao vassalo ajoelhado; (…) Santa Ifigênia é invocada várias vezes e, ao ecoar dos cantos e das músicas, por entre danças e as mesmas solenidades da entrada, efetua-se a saída. Chegando à casa,os dignitários ainda festejam o dia com um banquete em que as principais personagens passam a ser o feijão e a aguardente de cana”.

Niquelândia – Igreja de Santa Efigência

Atualmente, o município de Niquelândia, com cerca de 9843,170 km², é o maior município de Goiás Além de suas belezas naturais, Niquelândia possui a antigas Igreja de Santa Ifigênia, que possuem altares entre os mais ricos do Brasil, feitos de ouro puro. O principal monumento histórico da cidade é a Igreja de Santa Efigênia, que foi construída pelos escravos, por volta de 1790, dando a eles um centro religioso que pudesse ser frequentado por negros. A igreja de Santa Efigênia tem arquitetura colonial, com paredes de adobe. Sua estrutura é de aroeira e o piso de cimento batido.

 

 

 

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