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Os Riscos se Salvam?

As riquezas não tem valor nenhum perante Deus, somente perante os homens. O Antigo e o Novo Testamento são concordes em afirmar que a riqueza é um bem relativo. No correr dos tempos, porém, a riqueza e o poder começaram a ser bens cobiçados. Para justificar tal concepção aparece no Antigo Testamento a ideia de que o ter, o poder e o saber são sinais das “bênçãos divinas”: ligava-se, assim, a riqueza à religiosidade da pessoa (Gn 13,2; 24,35; Dt 6,10-12; 28,1-14). O homem, temente a Deus do A.T., procurava as riquezas para demostrar que era abençoado por Deus. Os profetas, porém, ensinavam que a verdadeira riqueza consistia na obediência a Deus no cumprimento das boas obras: os maiores e verdadeirus valores, que precisava buscar (Pr 3,13-16; 8,17-18; 10,22; 11,16). Que Deus abençoasse os ricos foi fruto da cultura e dos costumes daquele tempo, não ensinamento bíblico, nem critério de justiça perante Deus! (Is 1,10-17.10,1-3).

As riquezas – lembra o A.T. – são até um perigo para a vida espiritual (Pr 11,8; 18,11; Ecl 5,8); elas podem até desaparecer e as perdemos mesmo com a morte (Pr 11,4; 19,1; 23,4). Não é bíblico dizer: vida virtuosa produz riqueza, vida ímpia, pobreza. Mesmo no A.T. são exaltados outros valores como a piedade e o temor de Deus (Sl 34,10-11; 37,16; Pr 11,18; 13,7; 15,16). Contrariamente ao que se diz, o A.T. afirma que o pobre é virtuoso e piedoso; o rico geralmente é pecador e ímpio por causa de sua arrogância e cobiça (Ecl 13,23-24; 14,3; Sb 7,7-10; Sl 86,1-2). “Os pobres de Javé”, de que tanto fala o A.T., são os queridos de Deus porque são desapegados, limpos de coração e fiéis a Deus (Sl 74,19; 149, 4 Is 61,1). Biblicamente falando, Deus abençoa e está com os pobres e os humildes e não com os ricos e os orgulhosos.

Jesus falou muito sobre a riqueza (Mc 10,17-31; 12, 1-17; Lc 18, 24-30; Mt 19, 23-26): ela não é condenada em si, mas no seu mau uso e alerta para o perigo que ela representa, pois torna o coração do homen fechado a Deus e à humanidade. (Mt 13,22; 19,24). Absolutizada, ela é atentado contra a soberania de Deus: os ricos, os satisfeitos, os que riem, os saciados por causa de sua segurança, serão excluídos do Reino (Lc 6,24-25); os pobres, os famintos, os que choram, esses entrarão no Reino (Lc 6, 20-21; Mt 5, 3-6). Os ricos – diz a Bíblia – se enriquecem porque são ladrões e injustos. E, Deus rejeita tanto o roubo e a injustiça, como os ladrões e os impostores. Deus os censura, os ameaça e os condena, se não se converterem à justiça e à solidariedade, pondo os seus bens a serviço do próximo (Lc 12,33.48; 14,33;19,10).

Jesus, autor e modelo de fé (Hb 12,2), foi pobre afetiva e efetivamente: quis nascer numa gruta (Lc 2,7), sofrer o desterro (Mt 2,13-15), viver por trinta anos numa cidade apagada (Jo 1,46); durante seu ministério público na Galileia, escolheu morar, como hóspede fixo, na casa de Pedro (Mt 8,14; 9,1) e, durante seu ministério público em Jerusalém, refugiar-se nas grutas do Monte das Oliveiras (Lc 21,37-38). Aos discípulos, enviados numa missão experimental, ordenou a “não guardar dinheiro, nem mochila, nem duas túnicas, nem sandálias e nem bengala” (Mt 10,9-10; Lc 10,4). A um discípulo, que queria segui-lo mais de perto, respondeu: “As raposas tem suas tocas, os passarinhos seus ninhos, o Filho do Homem não tem onde pousar sua cabeça” (Lc 9,58). Esta pobreza de Jesus, abraçada e abençoada, chegou ao despojamento total na cruz (Mt 27,35-38). Aos apóstolos, Jesus exige uma pobreza, como foi a dele: sem esposa, sem filhos (Lc 18,29; Mt 10,29) e sem bens materiais (Lc 12,33; Mt 19,21-28). São Paulo escreve: “Nosso Senhor Jesus Cristo, de rico se fez pobre” (2Cor 8,9); “verdadeira idolatria – declara na Carta aos Colossenses 3,5 – é a riqueza insaciável”. No deserto, rejeita a tentação da prosperidade (Mt 9,9-10) e nas parábolas ensina que as riquezas são espinhos, que sufocam a Palavra (Mt 13,22). Lucas no Sermão da Montanha declara: “Ai de vós, os ricos” (Lc 6,24) e Mateus revela: “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mt 19,24).

 

Pe. Ernesto,

Paróquia S. José (SAD – GO).

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