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Pecado e graça

A Graça enquanto benefício na criação

A nossa compreensão de Graça tem sua origem nas raízes gregas e latinas. Temos originalmente a palavra grega  Car  que possui o sentido de agradável, alegria, deleite. Essa palavra subsiste no latim como Gratus. A raiz grega sentido  com a palavra  Caris, que compreende-se como beleza física  ou moral, estendendo-se como os bens naturais  contidos na criação.

Conceito:  a “graça” como uma dádiva livre que não é obrigatória, ou um benefício, sem o devido merecimento.

 

A Graça divina presente na criação

O princípio sobre a graça  tem seu eixo central a partir de uma premissa originante da criação, que é Deus. Este princípio, é um princípio ontológico, sendo Ele o motor-móvel  que dá origem à criação vigente, dá  “ser”  às criaturas  e as formas  como matéria, por isso  toda matéria  vem a existência  a partir de Deus, sendo esta provinda de Deus.

 

 

          A graça é uma força ed.extra? Apesar disto  o estado de graça não se resume a uma perspectiva extrínseca como  adverte Karl Ranher:  “A graça aparece como uma simples superestrutura, em si certamente muito bela, mas imposta à natureza  por uma livre disposição de Deus[1]. ]

 

         Origem em Deus, mas se concretiza na liberdade humana. A graça divina tem sua existência em dói movimentos: no ato criativo de Deus, juntamente com o ato receptivo do homem. O homem não é passivo diante da ação divina, mas a receptividade da graça divina pressupõe um ato opcional. De forma que a plena identidade do homem e liberdade do homem acontece na pura manifestação de Deus e a sincera aceitação do homem, realizando a graça divina [2].

 

           A  intenção criacional de Deus é um amor que faz a homem Ser, realizar-se: Deus cria o homem num ato livre de sua vontade gratuita que transborda com bondade, dom que cria o homem para participar, viver a plenitude de seus dons como recorda Andrés Torres Queiruga em seu livro  “ Recuperar  a criação” :“ Deus cria para a plenitude, tem prazer na felicidade de suas criaturas… igual a um pai  ou uma mãe  entre nós  que acha sua felicidade  na alegria do Filho[3]

Podemos ainda dizer: “A graça  é a presença de Deus, presença amante que nunca abandona o homem  e que não cessa  de conduzi-lo  de uma maneira admirável e secreta.[4]

 

Três princípios: Deus concede três princípios  ao homem expressando os benefícios divinos: Ele dá o “existir”,  o “viver” e o “ser”; essa criação provêm do nada, mas Deus não engendra na criação a si mesmo, tem autonomia própria se identifica com a sua origem primeira.

 

       Como contemplamos a graça divina?: Segundo Agostinho existência do Criador é possível mediante a afirmação da consciência individual.Pela razão o homem ilumina a alma, esta razão é uma espécie de luz da alma que ilumina a alma a ver e a julgar  as decisões que serão tomadas pela vontade. “ As potências da alma são como  olho da mente … Deus é o sol, que os banha com sua luz. E eu; a razão, sou para mente como o raio da visão para o olhar[5]

A graça produz autonomia : O homem é apresentado como um ser de relação que se perfaz numa relação que alia independência com autonomia, pois o  Criador concede potencial para realizar a sua forma de ser ou identidade.  “por  estarem unidos  a Deus somente Deus é bem que torna feliz  a criatura racional  ou intelectual[6]

É considerado como uma graça concedida a participação na beleza imutável, pois apenas ao homem é possível à percepção e a participação na graça divina “nem toda criatura possa ser feliz, pois não alcançam em são capazes de tal graça as feras, as plantas, as pedras e as coisas  assim, o que pode sê-lo não pode ser por si mesmo[7]

          A distinção da  graça no Antigo e Novo Testamento:  A graça é observada na dimensão interior podendo ser encontrada como possibilidade ou impulso a manutenção do bem. De forma mais precisa Santo Agostinho distingue a graça de forma atualizada mostrando a diferença de nosso estado atual mediante ao mistério da encarnação do verbo e a graça antes do pecado original. “esta graça  concedida ao primeiro Adão, mas outorgada  no segundo Adão é superior. A primeira  possibilita ao homem  a viver a justiça, a segunda, mais eficaz, leva o homem a querer a justiça[8]

O homem em si é causa eficiente, mas ao mesmo tempo dependente; é causa eficiente por ser de essência, ao comunicar-se com o criador, esse ser agente age como com  o auxílio dos benefícios divinos que o permite executar e a permanecer no bem, neste sentido o homem é autor exclusivo de sua permanência ou não de um estado de  graça.

           A graça se realiza a medida da aceitação: A graça está desvinculada,  de uma força que obriga e torna o homem um ser sem livre vontade, mas é uma inspiração que se realiza a medida que se adere, como nos atesta Juan L. Ruiz de la Pena ao referenciar sobre a graça: “ o termo graça  denota, pois, não uma coisa, mas uma relação, na forma do encontro e intercâmbio vital entre dois  seres pessoais[9]

O homem é um ser de características própria, pois difere dos outros animais, pois possui faculdades que o torna  superior as outras criaturas, mas também não é igual a Deus ou seja, sai de Deus, mas não é Deus.  Este ser complexo, portanto, ganha a realização e felicidade a medida que tem sua auto-decisão (livre arbítrio), tenha o conhecimento ordenado do Bem que é imutável e os bens  imutável ( Ordem de valores) , a inspiração que o faz querer o Bem imutável ( graça).

Diante destas concepções o homem desfruta um verdadeiro estado original, um estado que o permite a ser verdadeiramente livre ou seja, viver a verdadeira liberdade que faz que o ser humana desfrute de  verdadeira dignidade. Portanto a conscientização da graça divina em si e no mundo como  nos atesta o a Constituição Gaudium et Spes: “o homem porém  não pode voltar-se para o bem a não ser livremente . Os nossos contemporâneos  exaltam  e defendem com ardor  esta liberdade … eles fomentam muitas vezes de maneira viciada, como licenças de fazer tudo que agrada mesmo o mal[10]

 

      Problema do pecado e a graça: relato do pecado no livro de gêneses traz a imagem da essência de todo o pecado  que é uma opção decisiva do homem; neste relato encontra-se uma declaração de independência do homem, de modo que ele assume-se  autônomo.  Juan L. Pena  define esta atitude do homem da seguinte forma: “ o homem  tomou o centro, a saber, o lugar de Deus, crê, assim poder ser , por natureza, o que somente podia ser por graça.” [11]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[1] Karla Ranher  “ o o homem e a graça” p.40

[2] Cf. Somos puro dom da liberdade divina,  nenhum de nós  pode invocar  o direito do ser”

Introdução a Antropologias  Teológica    p.78

[3] Andrés Torres Queiruga em seu livro  “ Recuperar  a criação” p.82

[4] LABRUNE, Monique  e JAFRO, Laurent “ A construção da Filosofia  Ocidental. P 44

[5] Solilóquio I,6,12

[6] Cidade de Deus 154

[7] Cidade de Deus p.154

[8] A graça  vol II p.117

[9] Criação, graça, salvação “Juan L. Ruiz de la Pena”São Paulo: Ed Loyola,1998 p.60

[10] Compêndio Concílio Vaticano II “Gaudium et Spes, 17

[11] PENA,  Juan L. “ O dom de Deus” Petrópoles: Vozes 1997 p. 52

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