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Política mais transparente e representativa

Por ocasião do 80º aniversário da encíclica “RERUM NOVARUM” (o primeiro documento da Igreja sobre o mundo do trabalho, publicado pelo Papa Leão XIII, em 1881), o papa Paulo VI escrever a Exortação Apostólica “OCTOGÉSIMA ADVENIENS”, em 1971, na qual afirma: “A política é uma maneira exigente de viver o compromisso cristão a serviço dos outros. Política significa a arte de bem governar os bens públicos. É a arte mais nobre, pois promove o bem comum” (nº 41). Todo cristão em virtude de sua fé deve participar do processo político, não se deixando corromper pelos jogos de poder e de interesse. Sua vocação é ser uma referência de honestidade, de competência e de compromisso com a vida do povo. Tendo governos corruptos e corruptores, o povo não pode ter “vida e vida em abundancia” (Jo 10,10). Todo cidadão, digno deste nome, é chamado a denunciar o que é fruto de roubo, de ilegalidade e de desprezo pelos bens públicos, bens que pertencem à comunidade civil e estão a serviço do povo: “Quem não se preocupa com o bem comum não é um cristão, nem um cidadão autêntico” (Bento XVI).

Recentemente foi articulado a “COALIZÃO PELA REFORMA POLÍTICA DEMOCRÁTICA E ELEIÇÕES LIMPAS”, plataforma que reúne 95 Entidades e Movimentos Populares. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) encabeça esta iniciativa. A Coalizão considera como a “mãe de todas as reformas” reformar a atual Lei eleitoral, que transforma a maioria do povo – trabalhadores, mulheres, jovens, negros, classe média baixa, pequenos agricultores, comerciantes, etc. – em minoria; e a minoria – grandes empresários, capitães da indústria, banqueiros, petroleiros – em maioria. O Congresso, de fato, não reflete o perfil da nossa sociedade: isto origina uma grande crise de representação no País. Uma prova disso é o Parlamento não ter sensibilidade à voz das ruas, e pior ainda, reflete interesses minoritários e a recente CPI da Petrobrás, que mostra os nossos Senadores, comprados pelas Multinacionais e Estatais… Os mais espertos e considerados “grandes”, geralmente não vibram pelas causas nobres. Seus discursos são genéricos, vazios e autoritários. Querem apenas cuidar de seus negócios, aumentar seus lucros e fazer prosperar seus bens a custa das necessidades do povo.

A CNBB sempre deu apoio a iniciativas semelhantes. Dois exemplos: “a Lei 9840/1999 – contra a corrupção eleitoral”, que proíbe a venda de votos – e a Lei complementar 135/2010, conhecida como “Lei da Ficha Limpa”, que torna inelegíveis candidatos condenados pela justiça. A Coalizão pretende vencer mais três fontes de corrupção: os candidatos à vida política são escolhidos pelas lideranças do partido e não pelas bases. Em segundo lugar: quem aspira à vida política busca encargos, mordomias, licitações do governo e não servir ao povo. Em terceiro lugar: a compra dos votos dentro dos próprios partidos e a manipulação das “Obras Sociais” para aquisição de votos. Jesus escolheu trabalhadores rudes mais leais para serem colaboradores dEle pelas causas do Reino, pessoas dispostas a dar suas vidas pelo bem comum; pessoas, que sabem o que custa a vida, e que deram testemunho de colocar os interesses da comunidade acima dos seus interesses pessoais.

A Igreja, Mãe e Mestre dos povos, sempre buscou o bem e a vida plena da sociedade, pois “as alegrias e as esperanças dos homens e das mulheres de hoje são também as alegrias e esperanças de todo o povo de Deus, a Igreja” – salienta o Concílio Vaticano II (Gaudium et Spes, nº 1). Em todas as partes do Brasil está sendo promovida uma coleta de assinaturas (a meta é recolher 1 milhão e 500 mil) para criar um forte movimento de opinião pública a favor do projeto para uma reforma política democrática, que amplia a participação popular e a torne mais transparente. Quatro são os pontos de reforma: abolição do financiamento de campanhas políticas por empresas e consequente corrupção eleitoral; implementar um sistema eleitoral proporcional de lista aberta de candidatos; maior representação das mulheres na política; enfim, introduzir no País a democracia direta. “A democracia é como uma flor: precisa constantemente ser defendida, amparada e cuidada” (Papa Francisco).

 

Pe. Ernesto,

Paróquia São José – SAD.

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